Caeiro da várzea
Passando aqui para divulgar um conto que acabou de ser publicado pela revista Variações:
Caeiro da várzea
Enquanto atravessava a planície liquida, admirava suas margens: os galhos se intrometendo no caminho, as folhas reluzindo como vitrais, os troncos afogados.
Finalmente, a embarcação se embrenhou no labirinto improvisado pelas chuvas. Era bem cedo, mas ali dentro se podia sentir o hálito do meio-dia. Como se tivessem entrado em outra dimensão – e realmente tinham entrado.
Maritacas, jandaias e araras em algum ponto daquele emaranhado verde celebravam a manhã. Manhã que nunca será a mesma. Não há melhor metafísica que o esquecimento. O doce esquecimento que repousa na sensação. O doce esquecimento da selva.
A canoa atravessou o igapó e ele deixou para trás uma gota de saudade.
**
Se tem alguém mais calmo que o Seu Magella na Terra, essa pessoa está morta, dizia Renan. Em seis anos trabalhando nessa empresa, nunca o rapaz viu o homem aumentar o tom de voz. Motivos lhe deram, principalmente o gerente.
Magella montava as planilhas com minúcia e isso levava tempo. Um tempo nada lucrativo. Reinaldo citou o seu caso tantas vezes nas reuniões, que os colegas, compadecidos, decidiram ajudá-lo preparando planilhas alternativas para enviar no seu lugar antes do prazo se esgotar.
Reinaldo parou de chamar a atenção do funcionário e Magella talvez nunca tenha se dado conta do esquema dos colegas. Na realidade, ele tinha coisas mais importante para pensar, ou melhor, pescar.
Leia o resto aqui: https://variacoesnovasformas.blogspot.com/2026/07/um-conto-de-vinicius-alves-do-amaral.html?m=1
Comentários
Postar um comentário