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Mostrando postagens de julho, 2026

Lições do rosto de pedra

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(republicando aqui um texto de 2022 que postei no meu Medium) Nos  tempos do cinema mudo, alguns atores se destacaram no ramo da comédia investindo em personagens. Max Linder na França fazia o dândi e Charles Chaplin o adorável vagabundo. Buster Keaton se destacava por ser o “rosto de pedra”. Durante as mais absurdas situações, Buster Keaton não esboçava uma só reação em sua face. Não sorria, não franzia o cenho, não mordia o lábio, nada. Mesmo assim o espectador podia prever o que ele estava pensando ou sentindo por meio de seus grandes e quase hipnotizantes olhos. Nascido Joseph Frank Keaton em 1895 no interior dos Estados Unidos, o ator ganhou o apelido de Buster do grande ilusionista Harry Houdini quando caiu de uma escada num hotel e nem mesmo se arranhou. Buster quer dizer “fenômeno”. Há muitas passagens interessantes na vida de Keaton, como aquela sobre o furacão. Quando pequeno uma vez ele foi carregado por um furacão. Curioso ao ouvir o som das tábuas do telhado se soltand...

Caeiro da várzea

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 Passando aqui para divulgar um conto que acabou de ser publicado pela revista Variações: Caeiro da várzea  foto: Araquém Alcântara. Enquanto atravessava a planície liquida, admirava suas margens: os galhos se intrometendo no caminho, as folhas reluzindo como vitrais, os troncos afogados. Finalmente, a embarcação se embrenhou no labirinto improvisado pelas chuvas. Era bem cedo, mas ali dentro se podia sentir o hálito do meio-dia. Como se tivessem entrado em outra dimensão – e realmente tinham entrado. Maritacas, jandaias e araras em algum ponto daquele emaranhado verde celebravam a manhã. Manhã que nunca será a mesma. Não há melhor metafísica que o esquecimento. O doce esquecimento que repousa na sensação. O doce esquecimento da selva. A canoa atravessou o igapó e ele deixou para trás uma gota de saudade. ** Se tem alguém mais calmo que o Seu Magella na Terra, essa pessoa está morta, dizia Renan. Em seis anos trabalhando nessa empresa, nunca o rapaz viu o homem aumentar o tom ...

Columbo: Reação Negativa

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 Muito bem, esse é o segundo episódio da quarta temporada (1974) - eu disse que não estava assistindo em ordem cronológica! - e o vilão especialmente convidado é... Dick van Dyke. A trama é simples: um fotógrafo mata a esposa, simula um sequestro e culpa um ex-presidiário, que vinha trabalhando para ele extraoficialmente. Mas, como sempre, o diabo mora nos detalhes: o fotógrafo pediu que o criminoso regenerado comprasse um rancho em seu nome, rancho esse onde ele tirou uma foto da esposa e onde deixou seu corpo. O próximo passo do assassino é deixar a carta de resgate, a máquina fotográfica e outros elementos incriminadores no quarto de hotel do seu novo empregado. Após marcar um encontro casual com o dito cujo num ferro velho, ele o elimina e dá a entender, com um tiro na própria perna, que foi legítima defesa. Antagonista A motivação fica clara já nos primeiros minutos do episódio: a esposa o detesta e o humilha constantemente. Mas ficamos sabendo mais adiante que ele também tem ...

Columbo

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 Adquiri um box de DVDs com todas as temporadas da série Columbo e desbravá-las têm sido uma aventura e até certo ponto um ritual familiar (porque assisto os episódios ao lado dos meus pais). Acho que vou compartilhar minhas impressões de cada episódio por aqui. Obs.1: não estou assistindo seguindo uma ordem cronológica, simplesmente coloco o DVD ao acaso. Pode parecer estranho, mas a própria obra permite isso. Bem, o que vem a ser isso? Esse tal de Columbo? É uma série norte-americana produzida entre 1970 e 1990, que inclusive passou na TV aberta no Brasil durante esse intervalo. Os episódios são independentes entre si, então não espere por um grande arco, um finale comovente. Essa não é a dinâmica da série. Columbo é sobre construir intriga sem mistério, na ótima definição de um vídeo-ensaio romeno que achei no Youtube anos atrás. Concepção no mínimo incomum para uma série detetivesca. Os episódios começam com o crime: você vê o que foi feito, quem foi a vitima e quem o praticou...

Pharmakón

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  Uma vez enquanto olhava pro teto acompanhando a pintura descascar um aforismo caiu na minha cabeça: "Tédio, o veneno das horas".   Anotei e deixei ela maturando no caderno. quando voltei, ela tinha virado desenho, ensaio, poema, coisas, enfim.   Mas, veja como é a vida, o caderno morreu de inanição eu já tenho mais notícias da tinta ou do teto porque vendi meus olhos Nem por isso aquela frase me abandonou. Não, ela voltou como eco um eco varando a noite levemente alterada como é costume dos ecos:   "Tédio,  puçanga  das horas". (achei mais que apropriado)