Columbo
Adquiri um box de DVDs com todas as temporadas da série Columbo e desbravá-las têm sido uma aventura e até certo ponto um ritual familiar (porque assisto os episódios ao lado dos meus pais). Acho que vou compartilhar minhas impressões de cada episódio por aqui.
Obs.1: não estou assistindo seguindo uma ordem cronológica, simplesmente coloco o DVD ao acaso. Pode parecer estranho, mas a própria obra permite isso.
Bem, o que vem a ser isso? Esse tal de Columbo? É uma série norte-americana produzida entre 1970 e 1990, que inclusive passou na TV aberta no Brasil durante esse intervalo. Os episódios são independentes entre si, então não espere por um grande arco, um finale comovente. Essa não é a dinâmica da série.
Columbo é sobre construir intriga sem mistério, na ótima definição de um vídeo-ensaio romeno que achei no Youtube anos atrás. Concepção no mínimo incomum para uma série detetivesca. Os episódios começam com o crime: você vê o que foi feito, quem foi a vitima e quem o praticou. Então, onde está o interesse? É saber justamente como o criminoso ou a criminosa serão pegos.
Nesse sentido, Columbo é uma série focada nos caminhos e descaminhos da investigação - o protagonista aposta em uma contradição, dá com os burros d'água aqui, mas então olha para outro lado e, opa, parece mais promissor - e talvez por isso não seja atraente para muita gente. Até porque, é sempre importante lembrar, é uma série de televisão dos anos 70 e 80: o ritmo é mais calmo e tem bastante conversa.
Os crimes costumam ser bem intricados e seus praticantes compartilham a curiosa característica de serem pessoas intimidadoras (tanto financeira quanto intelectualmente) e insuspeitas (por fazerem parte da alta sociedade). Mas o que torna a série memorável são as atuações.
Nos créditos iniciais da série do Batman de 1966 apresentava-se sempre a estrela convidada como "vilão especialmente convidado". Essa brincadeira combinaria perfeitamente com Columbo. Leslie Nielsen, Ray Milland, Johnny Cash, Lee Grant, William Shatner, etc. O elenco realmente era de grandes nomes da televisão e do cinema da época.
E como contraponto a esses medalhões, Peter Falk interpretando o policial que dá título a série. Refilmar Columbo é uma empreitada fadada ao fracasso e nem digo isso por causa do roteiro, na maioria de alto nível, mas principalmente porque o personagem É Peter Falk. O ator se moldou tão bem ao personagem que é impossível imaginar outra pessoa o interpretando.
Columbo é esse detetive que anda para cima e para baixo com um casaco amassado, cabelo despenteado e com mil histórias sobre sua esposa e seus parentes. Ele é um sujeito humilde, meio esquisito, mas não de uma forma excêntrica. Está mais para um homem ordinário. No entanto, ele é bem sagaz e seu método, consolidado com o passar dos episódios, é cercar o suspeito e deixar claro ao próprio que ele está cada vez mais próximo de prendê-lo até que ele caia numa armadilha criada pelo detetive. Só que Columbo faz isso da forma menos intimidadora possível: fingindo interesse no cotidiano do suspeito, compartilhando histórias de sua vida, perguntando sobre coisas banais...
Columbo cozinha os criminosos em banho-maria e é quase um deleite vê-los perdendo a compostura no decorrer do episódio. Principalmente os mais detestáveis, que não são poucos. O que me fez procurar a série foi justamente as aulas de atuação dessa tchurminha do barulho. É divertido, mas também é muito instrutivo. Quer dizer, ao menos para mim.
Obs. 2: começo as reviews na próxima postagem
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