Pharmakón
Uma vez enquanto olhava pro teto
acompanhando a pintura descascar
um aforismo caiu na minha cabeça:
"Tédio, o veneno das horas".
Anotei e deixei ela maturando no caderno.
quando voltei, ela tinha virado desenho,
ensaio,
poema,
coisas, enfim.
Mas, veja como é a vida, o caderno morreu
de inanição
eu já tenho mais notícias da tinta ou do teto
porque vendi meus olhos
Nem por isso aquela frase me abandonou.
Não, ela voltou como eco
um eco varando a noite
levemente alterada
como é costume dos ecos:
"Tédio,
puçanga
das horas".
(achei mais que apropriado)
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